
A dinâmica das empresas e organizações se alterou drasticamente se comparada com a última década. Hoje, as instituições e seus líderes estão mais suscetíveis a adaptar novos formatos de organização e liderança para extrair o melhor de seus funcionários.
O que é Saúde Organizacional ?
A Saúde organizacional é o estado de bem-estar de uma empresa, refletido na sua capacidade de operar de forma eficaz e sustentável. Ela abrange aspectos como cultura organizacional, liderança, comunicação interna, engajamento dos funcionários, clima de trabalho e estrutura organizacional. Quando a saúde organizacional é positiva, a empresa tende a ter funcionários motivados, alta produtividade, baixo turnover e desempenho financeiro estável, o que contribui para sua longevidade e sucesso no mercado.
Desde o ano de 2003, o McKinsey & Company divulga a pesquisa do “Índice de Saúde Organizacional (OHI)”, que visa medir práticas positivas que auxiliam e promovem o bem-estar das organizações para um melhor desempenho e desenvolvimento das instituições.
No ano de 2024, o McKinsey publicou sua edição do OHI e trouxe métricas importantes que apontam que alguns dos modelos empresariais utilizados no início do século XXI não funcionam mais para os consumidores e nem para os funcionários da organização. Seis pontos foram apresentados contrariando tendências mostradas no início do século, são eles: a criação de um propósito comum, lideranças autoritárias, tomada de decisões, experiência dos funcionários, capacidades tecnológicas e digitais, e sustentabilidade.
A criação de um propósito para sua organização
A criação de um propósito empresarial comum, que guia o trabalho de todos os funcionários, é vital para o crescimento de uma instituição. Sem um objetivo claro, torna-se mais difícil para os funcionários determinarem um plano a ser seguido e se conectarem emocional e intelectualmente à organização, justificando seu papel no contexto. Um propósito bem articulado ajuda a alinhar todos os membros da empresa, motivando-os e fornecendo uma “Estrela do Norte” que orienta suas ações. Os estudos da McKinsey & Company mostram que organizações com um propósito claro têm retornos mais altos em comparação com aquelas que não traçam seus objetivos.
O fim das lideranças autoritárias
Por décadas, a liderança autoritária foi o núcleo do estilo mais utilizado nas organizações ao redor do mundo. No entanto, uma mudança significativa observada no Índice de Saúde Organizacional revela que a liderança autoritária já não resulta em uma saúde organizacional. Os benefícios anteriormente associados a essa abordagem agora são efetivamente substituídos por outros estilos de liderança: a liderança capacitadora e a liderança decisiva.
A liderança capacitadora é aquela que concede autonomia aos funcionários para tomar suas próprias decisões dentro da empresa, promovendo um ambiente de trabalho mais colaborativo e empoderador. Por outro lado, a liderança decisiva é caracterizada pela rapidez na tomada de decisões e na execução de planos. Embora a liderança decisiva possa parecer similar à liderança autoritária devido à rapidez nas decisões, é crucial entender que esses estilos não devem ser confundidos. A liderança autoritária e a decisiva seguem caminhos diferentes; enquanto a primeira impõe decisões de cima para baixo e utiliza pressão, a segunda é ágil e focada na eficácia, mas ainda respeita a autonomia dos membros da equipe.
Utilize fatos e dados, não sua intuição
O McKinsey & Company pontuou que líderes experientes podem confiar demais nas suas intuições, especialmente em contextos desconhecidos. Para evitar isso, é crucial identificar e reunir dados relevantes antes de tomar decisões. Há o risco de líderes escolherem métricas que confirmem seus próprios vieses, mas concordar com métricas certas desde o início pode revelar pontos cegos e melhorar o processo decisório de sua organização. Empresas saudáveis utilizam dados para guiar inovações e aprendizados, adotando uma abordagem imparcial que melhora sua capacidade de inovar rapidamente e com eficácia.
Auxilie seus funcionários a serem suas melhores versões
A inclusão da experiência dos funcionários no Índice de Saúde Organizacional revelou-se valiosa, pois adiciona um valor único além das práticas de gestão e dos resultados. A experiência dos funcionários, que engloba bem-estar, comprometimento e crescimento profissional, ajuda a prever a saúde organizacional mais efetivamente do que as medidas tradicionais de satisfação e engajamento.
Organizações que oferecem condições para que os funcionários prosperem e adaptem o trabalho às suas necessidades individuais têm mais chances de reter e atrair talentos, se o pico de produtividade de um determinado funcionário é às dez da noite, deixe-o trabalhar nesse horário! Organizações que oferecem condições para que os funcionários prosperem e adaptem o trabalho às suas necessidades individuais têm mais chances de atrair talentos e melhorar seu quadro de funcionários. À medida que as tarefas rotineiras são automatizadas, é crucial que o trabalho envolva habilidades cognitivas e socioemocionais, e que as empresas tratem os funcionários como artistas, não como meros executores de tarefas, tudo isso satisfaz os funcionários, que, consequentemente, aumenta a produtividade e auxilia no crescimento da organização.
Invista em tecnologia só quando for necessário
A previsão da McKinsey & Company de que as capacidades tecnológicas e digitais se tornariam uma prática relevante para impulsionar a saúde organizacional foi confirmada pelo Índice de Saúde Organizacional. Embora a habilitação tecnológica tenha sido incluída como prática, o foco está em como a tecnologia melhora o desempenho dos negócios, e não apenas em tornar o trabalho mais fácil para os funcionários. A tecnologia deve contribuir diretamente para a performance financeira e não apenas aumentar a satisfação dos funcionários. O sucesso da tecnologia é medido pela sua capacidade de criar valor e melhorar a eficiência, o que, por sua vez, pode levar a uma maior felicidade dos funcionários.
Sustentabilidade como prática de empresa
Funcionários e consumidores estão cada vez mais engajados em causas socioambientais e a valorização dessas ideias em um local de trabalho. Organizações preocupadas com o futuro destacam a importância da responsabilidade social em seu quadro e tendem a atrair mais talentos, além disso, essas práticas atraem popularidade para a organização que as realiza.
Conclusão
O Índice do McKinsey & Company é um indicador pertinente para líderes e organizações do mundo todo. Acompanhar tendências mercadológicas e sociais sem dúvidas é um ato relevante para qualquer empreendedor que deseja êxito e crescimento em suas atividades. O Índice mostra, ainda, que grandes empresas que demonstram se preocupar com o bem-estar de seus colaboradores e funcionários e se preocupam com a responsabilidade social tanto quanto o desempenho financeiro se saem melhores e se posicionam melhor no mercado.

