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Alimentação, Território e Clima: o Brasil que se constrói a partir de suas vocações

A participação do Conselho Federal de Nutrição (CFN) na COP 30, em Belém, reforça um ponto que precisa ganhar centralidade no debate público: não é possível enfrentar a crise climática sem olhar diretamente para os sistemas alimentares, seus impactos e suas potências.

Ao levar à Conferência debates sobre educação alimentar, formação em saúde, agroecologia, justiça climática, segurança alimentar e direito humano à alimentação adequada, o CFN reafirma que a Nutrição é parte da solução para os desafios ambientais e sociais do século XXI.

Essa atuação ocorre justamente em um contexto em que as mudanças do clima transformam a forma como produzimos, distribuímos e consumimos alimentos. Secas prolongadas, enchentes extremas, perda de biodiversidade e elevação dos preços afetam populações inteiras, especialmente as mais vulneráveis. No Brasil, estima-se que os sistemas alimentares respondem por até 74% das emissões brutas de gases de efeito estufa, o que evidencia a urgência de integrar saúde, alimentação e clima em uma mesma agenda.

Quando alimentamos o debate, alimentamos o futuro

Para o CFN, discutir alimentação na COP30 é reconhecer que esse tema está no centro da vida, mas também no centro da crise climática.
E que agir sobre ele significa influenciar políticas públicas, redes de cuidado, modos de produção e práticas sociais que têm impacto direto na saúde das pessoas e do planeta.

Essa perspectiva conecta-se a um olhar cada vez mais necessário sobre o território, não apenas como espaço físico, mas como ecossistema vivo de produção, cultura, biodiversidade e desenvolvimento.

É nesse ponto que o recente comentário de Adriano Leite, fundador do @Ibnapratica, aprofunda a reflexão ao destacar que a distribuição de terras no Brasil revela muito mais do que geografia: revela vocações distintas, que orientam capacidades produtivas e potenciais econômicos de cada região.

Segundo ele, o Norte carrega reservas estratégicas globais; o Nordeste amplia sua produção e ainda tem campo para capturar mais valor; o Centro-Oeste consolida o agro em escala; o Sudeste opera com alto valor por hectare; e o Sul mantém referência em produtividade.
Nesse cenário, a pergunta deixa de ser “onde há mais terra” e passa a ser “onde há mais margem”, não apenas econômica, mas ecológica, cultural e social.

A visão territorial como chave para a sustentabilidade

Esse raciocínio empresarial, quando transposto para o campo das políticas socioambientais, nos convida a compreender que não existe estratégia climática eficaz sem considerar a singularidade de cada território.

O Brasil é um país de grandezas e desigualdades, mas também de potências:

  • na Amazônia, os serviços ecossistêmicos que regulam o planeta;
  • no Nordeste, a força da produção adaptada ao semiárido;
  • no Centro-Oeste, o desafio de conciliar produtividade e conservação;
  • no Sudeste, a complexidade urbana e industrial;
  • no Sul, as heranças de diversificação produtiva.

Essa diversidade é um ativo, e também uma responsabilidade.
Como diz o próprio comentário repercutido por Adriano, esse território multidiverso “alicerça patrimônios, enraíza investimentos, impulsiona trocas, experimentos, aprendizagens”.

E é justamente essa lógica que o Instituto Soul defende e pratica.

Onde entra o Instituto Soul nessa conversa

O Instituto Soul nasce da crença de que territórios são organismos vivos: carregam histórias, saberes, desafios, capacidades e futuros possíveis.
Nosso trabalho parte da premissa de que cada cidade, cada comunidade e cada ecossistema local têm vocações próprias, que precisam ser reconhecidas, fortalecidas e conectadas a políticas públicas, redes de cuidado e soluções sustentáveis.

colocar sobre a nossa preocupação com as agroflorestas e um de nosso projetos é o planteirando, onde cidades pequenas trocam experiencias da sua cultura. trazer numeros fazer referencia a fiocruz falar das agroculturas nas cidades pequenas e desenvolvendo estudos sobre o planteirando, estimulando valização da cultura, como é o caso do projeto banart, desenvolvido em piau que incentivamos e apoiamos.

Atuamos para promover saúde mental, inclusão, educação, cultura, empreendedorismo social e tecnologias de cuidado que fortalecem o tecido social, especialmente em pequenas cidades, onde a inovação brota do encontro entre gente, território e propósito.

Quando olhamos para alimentação, clima e desenvolvimento, encontramos um ponto de convergência que orienta nossas ações:
o futuro é construído localmente, mas seus reflexos são globais.

Nutrição, saúde e sustentabilidade não são agendas isoladas. São dimensões interdependentes que moldam a qualidade de vida e a capacidade de um território prosperar de forma justa, responsável e resiliente.

Cuidar da alimentação é cuidar do planeta e das pessoas nas suas cidades

A COP30 nos lembra que discutir alimentos é discutir a vida.
O comentário de Adriano Leite nos lembra que discutir território é discutir estratégia.
E o Instituto Soul reforça que discutir desenvolvimento é discutir cuidado, pertencimento, equidade e futuro compartilhado.

A transição ecológica e social que desejamos depende dessa costura fina entre técnica, território, vocações, saúde e governança.

Porque alimentar de forma saudável e sustentável também é um ato de cuidado com o planeta, e com todas as pessoas que dependem dele para viver, aprender, produzir e prosperar.

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