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A Diplomacia Social: o que ela é e o que ela não é, por Francisco de Assis Belgo

Texto por Francisco de Assis Belgo, Advogado, professor de Direito Internacionial Público, doutorando em Relações Internacionais pela Universidade Autônoma de Lisboa (UAL) e Conselheiro Estratégico do Instituto Soul.

A expressão diplomacia social é um conceito em consolidação teórica e prática que busca compreender e orientar a atuação de atores não estatais – como empresas, organizações da sociedade civil, universidades, fundações filantrópicas e indivíduos – na promoção de valores, normas e práticas de cooperação nacional e internacional.

A diplomacia social atua junto à sociedade civil e não se confunde com a diplomacia pública, de onde tem origem. Ela nasce das iniciativas estatais de fomento ao diálogo com sociedades estrangeiras através de cooperação cultural, educacional e científica que, ao longo do tempo, abriram caminho para o ingresso de universidades, ONGs e empresas nesse campo, extrapolando e complementando as ações dos Estados e adquirindo autonomia própria.

A diplomacia social parte da premissa de que problemas globais e nacionais complexos, como mudanças climáticas, migração, saúde pública, educação ou exclusão digital, entre outros, não podem mais ser de responsabilidade apenas das instâncias governamentais, uma vez que extrapolam a capacidade estatal de solucioná-los isoladamente, exigindo a participação da sociedade civil organizada.

A diplomacia social está ancorada na solidariedade e na corresponsabilidade entre agentes públicos e privados que atuam em conjunto na solução de problemas comuns, funcionando como ponte entre o Estado e os atores sociais para gerar conexões, novos valores e práticas sustentáveis de ação social.

A diplomacia social não se confunde com a filantropia pura e simples: ela vai além ao articular contribuições financeiras, doações e recursos públicos em projetos de alcance social profundo que visam transformar estruturas e criar novos valores, como o da solidariedade entre comunidades, empresas, instituições e Estados.

Ela não se reduz a uma ferramenta de responsabilidade social empresarial ou a uma estratégia de marketing. Vai além ao pretender transformar o DNA dos atores econômicos, conclamando-os a uma participação efetiva na construção da nova sociedade mundial que surge no horizonte da globalização de mercados.

Ela, por fim, não se confunde com o ativismo isolado de indivíduos e ONGs. Embora importantes, tais iniciativas ganham alcance e legitimidade quando articuladas pela diplomacia social, que amplia sua capacidade de diálogo, negociação e transformação.

Conclusão

A diplomacia social é, portanto, um instrumento de integração e corresponsabilidade nacional e internacional, em que o protagonismo de atores não estatais preza pela defesa e construção de valores universais, como o da solidariedade. O seu desafio é se afirmar como prática legítima de governança social e transnacional, sem cair na armadilha de ser reduzida a marketing empresarial, filantropia personalista ou retórica política instrumentalizada por interesses particulares.

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